• Daniella Neves.

Enquanto esperava pela chegada do furacão Matthew, escrevi.

Atualizado: Jun 23


Enquanto arrumava minhas malas (Resolvemos deixar tudo pronto caso recebêssemos o aviso para evacuar a cidade), o governador fazia um novo pronunciamento. Há dois dias, ele fez inúmeros anúncios, pedindo para as pessoas evacuarem a costa, armazenarem coisas, manter baterias e celulares carregados, não saíres nas ruas, se protegerem. No momento entre separar as coisas de uma mala para a outra, a tv parou de funcionar. Foi aí que percebemos o barulho de chuva forte lá fora. Lembram-se do alerta de não ficar próximo as janelas? Pois bem, não estávamos nem olhando naquela direção. Nesse momento resolvi, por que não? Relatar essa noite marcante, em tantos aspectos.

E segue abaixo, as horas seguintes:

20:53: Os canais de tv saíram do ar. Uma pena, pois ali recebíamos todas as informações.

21:01: Bora colocar o Spotify para tocar. Fica mais suave se preparar ao som de Jason Mraz.

21:15: O alarme de furacão em Miami é cancelado, ufa. O pessoal lá pode ficar tranquilo.

21:18: A tv volta a funcionar, e só se fala sobre o percurso do furacão e a situação nas cidades atingidas.

22:20: Malas prontas, tudo organizado próxima à porta, caso seja preciso evacuar o hotel. Documentos, passagens, dinheiro, remédios guardados em saquinhos zip, para ficar protegidos da chuva, e tudo dentro da minha bolsa.

22:40: O negócio consegue ficar pior do que já está. Há a possibilidade do furacão dar um looping, e retornar para a Flórida, atingindo o Estado duas vezes. Isso impactaria enormemente o nosso retorno para casa, e para nossa rotina de trabalho. Rezo para que seja um exagero.

23:10: Preparei um lanche, nada pesado. Só pensei em me alimentar caso não tivesse tempo depois.

23:58: Acabo de ver no noticiário que o furacão está mais para o lado do mar, não mudando o curso para o continente. Viva! Ainda é sério, e ainda existe risco para quem está na zona vermelha (Orlando está na zona laranja, e ainda existe a zona amarela que é a mais tranquila) porém poderia ser infinitamente pior se ele invadisse o Estado.

00:05: Vou tentar dormir. O auge da tempestade aqui está previsto entre as 03:00 e 07:00 horas da manhã. Espero que seja tranquilo.

08:30: O despertador toca. Tento acordar verificando se tudo está ok, se há barulho de ventania, ou chuva... Só ouço a chuva. Em seguida ouço uma família no corredor, e as crianças conversando, rindo. Levantamos, e o Tom olha na janela que estava fechada com a cortina blecaute, como solicitado por motivos de segurança, e confirma a chuva. Nada de grandes ventos, árvores caídas, caos. Graças a Deus!

Ligamos a tv e vimos que o furacão Matthew se afastou da costa, poupando o Estado da Flórida dessa grande catástrofe. Em seguida a notícia da morte de mais de 800 pessoas no Haiti, que não tinham como se proteger. Que tristeza um país tão carente passar por mais isso. Desejo que Deus lhes dê força para superar, e amor para se reconstruir.

14:07: Numa coletiva de imprensa, as autoridades locais agradecem a população por terem tomado os cuidados que foram essenciais para a sobrevivência nessa situação. Quase 1 milhão de famílias ainda estão sem energia. O momento ainda exige atenção, mas podemos respirar mais tranquilos.

Agradecemos as mensagens da família e amigos, foi reconfortante contar com o apoio e carinho de todos nesse momento de incerteza. Para nós, fica a experiência. A assertividade e esforço do governo nesses dias foram decisivos para a população, e é incrível como se preocupam com o bem estar e segurança de todos. Nunca vi tanto pronunciamento ao vivo de um governador, como vi aqui em quatro dias.

Por hora, a cidade continua fechada, assim como parques, mercados, shoppings, e a instrução é para que só saiam de casa em caso de real necessidade. Sendo assim, após a apreensão, hoje será um dia de descanso, para colocar o trabalho em dia, e pensar em tudo o que aprendi aqui nesses últimos dias...

Nesse post aqui, estão as informações que antecederam à chegada do Matthew e os cuidados a serem tomados por todos.